PLR do BNB em risco: Banco do Nordeste ainda não garantiu excepcionalidade de distribuição para 2026
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10/07/2026 :» Wigner da Silva de Oliveira :» Nacionais
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PLR do BNB em risco: Banco do Nordeste ainda não garantiu excepcionalidade de distribuição para 2026

A segunda rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 com o Banco do Nordeste (BNB), realizada nesta quinta-feira (9), na sede administrativa do Passaré, em Fortaleza, foi marcada por uma informação que acendeu o alerta no funcionalismo. Durante o debate sobre cláusulas de saúde, previdência e pautas sociais, a Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB) cobrou as devolutivas e recebeu do banco uma notícia preocupante.
A excepcionalidade que permitiu a distribuição de 48% do montante da PLR em 2024 e 2025, uma conquista histórica do funcionalismo após 19 anos de luta, ainda não foi autorizada para este ano. Segundo o banco, as negociações teriam recomeçado do zero e a direção está tentando obter a autorização para o acordo de PLR de 2026.
Conquista histórica pode ser ameaçada
O presidente da Fetrafi/NE e representante do Comando Nacional na mesa, Carlos Eduardo, manifestou grande preocupação com o cenário apresentado.
"Isso vai gerar muita indignação dos funcionários. O que está na nossa minuta, cujas cláusulas econômicas ainda serão levadas a debate nas próximas rodadas, é a ampliação do teto de distribuição do montante, e não está nas nossas perspectivas a redução do mesmo. Queremos construir um acordo que traga conquistas e garanta os direitos dos trabalhadores. Não aceitaremos retrocessos", enfatizou.
O banco informou que está envidando esforços para manter as regras de distribuição como estão dispostas no acordo atual, mas reiterou que ainda não tem essa autorização. A direção destacou que não poderia deixar de comunicar o impasse às entidades representativas, em respeito ao princípio da boa-fé negocial.
Mobilização em defesa da PLR
O coordenador da CNFBNB, Robson Araújo, lembrou que a excepcionalidade já é aplicada há mais de uma década para funcionários do BB e da Caixa.
"Não se justifica um tratamento diferente para o funcionalismo do BNB. Essa conquista precisa ser assegurada. Vamos nos mobilizar e organizar um Dia Nacional de Luta em defesa da nossa PLR. Precisamos intensificar nossa mobilização porque agora ficou realmente claro que nada é dado, tudo é conquistado com muita luta", afirmou.
PCR: impasse sobre Adicional por Tempo de Serviço
Outro ponto de tensão foi a proposta do novo Plano de Cargos e Remuneração (PCR). Segundo o banco, a CGPAR 52 proíbe o Adicional por Tempo de Serviço (ATS), que teria que ser retirado da proposta. A Comissão Nacional informou que esse benefício já existe no plano atual e que o impacto da retirada ainda precisa ser debatido. O assunto deve voltar à mesa na próxima rodada.
Saúde: Camed, Capef e reajustes
Na área da saúde, o coordenador Robson Araújo destacou prioridades como a reivindicação de que o banco arque com 70% do custeio da Camed, ampliação do atendimento por meio de convênios, Plano Natural após a aposentadoria e fornecimento gratuito de medicamentos de uso contínuo. A CNFBNB solicitou ainda que o reajuste do plano seja feito apenas uma vez ao ano, no mesmo percentual do reajuste salarial da categoria, evitando que reajustes sucessivos corrompam o salário dos funcionários. O banco ficou de avaliar as demandas.
Sobre a Capef, a representação pediu a reformulação do plano BD e reabertura do prazo para adesão ao CV-I. A CNFBNB quer que o funcionário possa ajustar sua contribuição a qualquer tempo, com contribuição paritária do banco, e propôs a redução da taxa de carregamento para 1% das contribuições mensais. O banco informou que já vem reduzindo a taxa ao longo do tempo.
A Comissão também manifestou preocupação com a gestão dos planos diante da sanha financeira do mercado, sugerindo mecanismos que impeçam o repasse da gestão a terceiros.
"Precisamos defender o patrimônio dos funcionários do BNB, pois já existem projetos de lei que avaliam a possibilidade de abrir a gestão dos fundos de previdência. Precisamos fortalecer nossa governança", destacou a representante do Ceará na CNFBNB, Carmen Araújo.
Avanços sociais e novas reivindicações
A Comissão reconheceu a inovação da redução de jornada para pais com filhos PCDs e neurodivergentes, mas solicitou que a redução seja por semana, e não por dia, para melhor adequação aos tratamentos. O banco ficou de analisar.
Também foi cobrado aumento do credenciamento médico especializado para esse público. O banco esclareceu que, em casos de falta de credenciados, a Camed já oferece ressarcimento integral para tratamentos particulares.
A CNFBNB pede ainda que funcionários de jornada de 6h que substituam um de 8h tenham redução automática para 2h diárias, além de um auxílio dependente com deficiência no valor de um salário mínimo e adequações nos ambientes de trabalho para PCDs e neurodivergentes.
Outra reivindicação inovadora é que funcionários com diagnóstico ou filhos com TDAH tenham os mesmos benefícios concedidos às deficiências, incluindo auxílio e redução de jornada.
A Comissão cobrou devolutiva sobre políticas voltadas ao público LGBTQIAPN+, com destaque a pessoas transgêneras. O banco informou que, a partir de grupos focais realizados em 2025, elaborou um plano de ação para combate ao preconceito e incentivo à inclusão, com treinamentos periódicos e canal de denúncias para casos de assédio.

Sobre adoção, a CNFBNB pediu que o banco abone as horas utilizadas para entrevistas e trâmites legais. Também foram solicitadas ampliação de ausências abonadas para 12 dias para acompanhamento de filhos até 18 anos, descanso remunerado de 60 dias para mulher em caso de aborto/natimorto e licença paternidade de 30 dias.
Transparência nas remoções e descomissionamentos
O banco se comprometeu a fazer dupla checagem antes da divulgação de atos de descomissionamento e a divulgar relatório mensal sobre remoções em sua intranet, garantindo mais transparência.
A diretora do Sindicato dos Bancários do Piauí, Lusemir Carvalho, destacou a gravidade do cenário apresentado pelo BNB e convocou a categoria à mobilização.
"O anúncio do Banco do Nordeste sobre a PLR é muito preocupante. Essa excepcionalidade foi conquistada com 19 anos de luta e já é realidade para funcionários do BB e da Caixa há mais de uma década. Não dá para aceitar que o BNB trate os seus funcionários de forma diferente. Seguimos firme no Dia Nacional de Luta em defesa da nossa PLR. É preciso mostrar que a categoria está unida e não vai aceitar retrocessos. Também acompanhamos de perto as pautas de saúde, previdência e inclusão, temas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores".

Próxima rodada
A terceira rodada de negociação está marcada para o dia 23 de julho, na sede do Passaré, em Fortaleza, quando serão iniciados os debates sobre as cláusulas econômicas.
Fonte Estagiario Wigner Silva (Com supervisão de João Henrique Vieira) tags:» SEEBF-PI; CampanhaNacional2026; PLR; BNB; Contraf-CUT; Fetrafi/NE; CNFBNB; CAPEF; SaúdeDosBancarios;
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