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Conhecimento é a melhor forma para combater o assédio moral no trabalho


João Henrique Vieira

Tema cada vez mais urgente e debate necessário, o assédio moral no trabalho foi debatido durante o evento Diálogo Social, realizado por alunos e professores do curso de Serviço Social da FAEPI, na manhã desta quarta-feira (22/11), com a presença da diretora do Sindicato dos Bancários do Piauí, Francisca de Assis; advogada Samara Martins e a psicóloga Aljucy Rocha. Na oportunidade, as palestrantes comentaram sobre a importância de falar sobre assédio e combater essa prática que oprime pessoas no ambiente de trabalho e prejudica o desempenho do trabalhador e trabalhadora.

A advogada Samara Martins ressaltou que as mulheres estão mais vulneráveis aos assédios moral e sexual e que muitas vezes as pessoas não sabem nem identificar situações de assédio no trabalho, por isso é importante falar, conhecer e combater toda forma de assédio.

“Através desses eventos a gente consegue multiplicar e disseminar informações específicas em relação à questão do assédio nas relações de trabalho. A partir dessas informações, dar suporte para o empregado conhecer seus direitos, fortalece o indivíduo no contexto de luta que a gente vive hoje, possibilitando o empoderamento dentro dessa relação de trabalho, que a gente percebe que já vem sendo fragilizada. Isso serve como multiplicador, levando informações para os alunos, que levam para o trabalho, para a família e essa informação vai passando e trazendo benefícios e o empoderamento do trabalhador”, afirmou a advogada Samara Martins.

A diretora sindical Francisca de Assis destacou que o assédio sofrido pelas mulheres vem desde casa com a divisão de tarefas que sobrecarrega a mulher e se estende ao trabalho fora de casa. “A mulher sofre mais assédio, a mulher negra sofre mais ainda. Até o fato de ser bonita ou não, causa assédio. Estamos aqui falando de assédio no trabalho, mas o assédio começa em casa. Na década de 90 nós já combatíamos o assédio contra as mulheres dentro dos bancos. Nós do Sindicato somos vigilantes contra o assédio no meio bancário. O assédio acontece a toda hora e em todo lugar”, disse.

Francisca de Assis comentou ainda sobre a necessidade de as mulheres lutarem por seu espaço. “Nós mulheres nos sentimos inferiores, mas agora já vemos as mulheres lutando por seus direitos. Temos que construir essa relação de trabalho, lutar por nosso espaço. Os homens precisam entender a importância da divisão de trabalho. Olhem para o lado e vejam quem está vulnerável e precisando de ajuda, vamos nos fortalecer”, afirmou.   

Assédio e adoecimento no trabalho

Já a psicóloga Aljucy Rocha falou sobre o adoecimento causado pelo assédio e suas consequências, o que reflete no desempenho da própria empresa, levando o trabalhador a situações de angustia extrema e até ao suicídio. Aljucy comentou que às vezes isso ainda é visto como tabu dentro da empresa, e que trabalhar o assédio antes do conflito evita o adoecimento do funcionário.

“É interessante que esse tema fosse trabalhado dentro da empresa de forma preventiva e conscientizadora. O assédio tem fases até chegar ao adoecimento; passa pelo conflito, bullying, depois a empresa começa a ter consciência do fato e aí, ou ela trata de forma positiva ou então de forma negativa, vendo a vítima como um problema. Acaba resultando no adoecimento do colaborador, o que só traz prejuízo para a empresa, como faltas, grande rotatividade, baixa autoestima, conflitos, dentre outras situações. A desinformação leva o trabalhador a ver o assédio como algo seu e não atribui ao agressor. Na maioria, os casos são sutis e as pessoas acabam não sabendo como lidar e nem reconhecer como assédio”, afirmou a psicóloga Aujacy.