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Campanha Nacional e defesa dos Bancos Públicos são temas de reuniões nas agências do BB em Teresina


João Henrique Vieira

Diretores do Sindicato dos Bancários do Piauí (SEEBF-PI) realizaram uma jornada de visitas, entre os dias 18 a 22 de setembro, percorrendo as agências do Banco do Brasil na capital – agências Rio Branco, Barão, Frei Serafim, Cidade Verde, Jóquei e Timon, no Maranhão. Uma semana inteira de diálogo com a categoria sobre Campanha Nacional 2017; questões específicas ao BB; prejuízos advindos com a terceirização e nova Lei Trabalhista que alteram formas de contratação, demissão e atacam diretamente os sindicatos mais organizados; além da nova campanha em defesa dos bancos públicos.

A Campanha Nacional desse ano tem o diferencial de um acordo assinado por dois anos, mas o presidente do SEEBF-PI, Arimatea Passos, ressalta que a inflação oficial não reflete a realidade. “Como o índice é baixo as pessoas pensam que foi ruim, mas esse acordo foi acertado, porque se for analisar que faríamos greve por um índice de 1.73 e ao final teria um aumento de 1% a 1,5% de aumento, não seria interessante se desgastar tanto tempo com a greve. E a Campanha não é só o índice, tem questões de saúde, segurança e os pontos específicos de cada banco, mas não quer dizer que não vai ter Campanha, vai e o objetivo é a garantia do emprego e defesa dos bancos públicos”.

O diretor sindical Carlos Arias (Camarão) comenta que é preciso refletir sobre o contexto atual para compreender o índice acordado pelo Sindicato. “É preciso que a categoria veja porque fechamos um acordo de dois anos. Em 2016 já havia uma sinalização de recessão e de muita coisa ruim que vinha pela frente. A inflação está sendo manipulada, tudo aumentou e com certeza essa inflação está sendo manipulada. Se a gente fosse lutar numa greve hoje não se conseguiria nem esse valor”, afirma.

O bancário Luiz Carlos, BB Agência Cidade Verde, afirma que a reunião esclareceu a categoria. “Essa explanação do que foram os aumentos no passado, o que está tendo de ganho real hoje e a visão de futuro tem que ser repassada para que a categoria tenha uma noção do que está acontecendo. Se não houver essa explicação, o funcionário vai ficar só reclamando porque recebeu só 1% de aumento, o errado é a inflação que não é só 1%, essa realidade tem que ser mostrada para a categoria”, disse.

Campanha em defesa dos Bancos Públicos

A categoria inicia uma nova Campanha em defesa dos bancos públicos, em todo o país e até o final do ano. O presidente Arimatea Passos informa que em toda quarta-feira haverá manifestação na porta de algum banco público na Capital e na quinta-feira, no interior do Estado. “É fundamental que se crie entre os bancários o sentimento de defesa do emprego e defesa dos bancos públicos. Temos um governo totalmente contrário ao interesse dos trabalhadores, contrário aos bens do povo brasileiro, colocando à venda bens e setores estratégicos para o país”.

 

Reformas que precarizam relações trabalhistas

Outro ponto bastante discutido com a categoria foi a precarização nas relações de trabalho que a nova Lei Trabalhista impõe. “Essa antirreforma ataca as categorias mais organizadas. Tem vários aspectos nocivos, dentre eles as mudanças nas formas de contratação, que pode ser temporária, intermitente. Outro ponto é a forma de demissão, que hoje é feita homologação no sindicato ou no Ministério do Trabalho, mas a partir do dia 11 de novembro a demissão poderá ser feita no ambiente de trabalho. Perde-se o controle sobre as demissões e o trabalhador fica desprotegido”, denuncia Arimatea.

Assédio, PSO, Previ, Cassi

Também foram abordados os temas sobre assédio e a vulnerabilidade que essas reformas trouxeram. “Esse tipo de negociação favorece ao assédio. Existe uma terceirização em curso e a pessoa fica vulnerável com medo de perder o emprego, salário, função. O sindicato jamais aceitará. Aqui no Piauí, por exemplo, o BB sofreu uma penalização numa ação por assédio moral. Nós vamos para as ruas, defender o trabalhador contra o assédio.”, afirmou Arimatea Passos.

Foi informado da intenção do BB de reestruturar o PSO, passando esses funcionários também a atuar no autoatendimento, mudando suas funções sem o treinamento adequado.

O diretor sindical José Ulisses comentou sobre a boa saúde financeira da Previ, apesar do contexto econômico e político. “A Previ é o maior fundo de pensão da América Latina, hoje é exemplo de governança. Passou por uma CPI e a Previ foi considerada referência de fundo de pensão na América Latina. A saúde financeira da Previ é boa”, afirmou. Já o diretor Francisco Matos tratou da Cassi e os ataques aos planos de autogestão. “O Governo queria impor duas resoluções para acabar com os planos de autogestão, mas houve uma reunião para barrar essa investida contra os planos de saúde, de autogestão e estamos repassando isso para a categoria”.

A diretora da Mulher, Fabiana Bezerra, destacou o papel do Sindicato. “O papel do Sindicato é muito importante e essas reuniões alertam, buscando a união de toda a categoria e é muito importante, porque com essas reformas um dos setores mais prejudicados vai ser o bancário. É hora de estarmos unidos”.

“O sindicato faz esse papel com excelência e é papel do funcionário também procurar e participar, o sindicato é cada um de nós. Temos que participar mais ainda e não esperar só dos nossos representantes, mas que a gente também faça parte dessa luta”, disse o bancário Renan Medeiros.