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Audiência Pública e manifestação marcam luta contra fechamento de agência Itaú em Picos (PI)


SEEBF-PI

Diretores sindicais das regionais Teresina e Picos unidos contra o fechamento da agência do banco Itaú no município de Picos (350 km de Teresina) realizaram entre os dias 22 e 23 de março Audiência Pública e manifestação em frente à agência do banco no município, além de encontros e diálogos com lideranças políticas, empresários locais e população alertando sobre os prejuízos que o fechamento da agência vai acarretar para toda a macro região de Picos – que abrange mais de 50 municípios. Da regional Teresina participaram o presidente do Sindicato dos Bancários do Piauí (SEEBF-PI), Arimatea Passos, os diretores Gilberto Soares, Carlos Augusto, Raimundo Neide, Francisco Reis, Emiliano Coelho e o diretor da Contraf, Marcus Vandai.

O presidente do SEEBF-PI, Arimatea Passos, elogiou a boa recepção das lideranças em Picos, que abraçaram a luta em prol do município, e questionou o fechamento da agência que gera prejuízos para toda a região. “Nós somos contrários ao fechamento dessa agência, por vários motivos e isso a população entendeu. Fizemos um movimento supra partidário, com todos os partidos lá representados e forças sindicais, para manter a agência em Picos, porque a gente sabe da importância de um banco para uma região como aquela. Ao redor de Picos tem outros 54 municípios que fazem comércio em Picos e a saída de um banco desmotiva qualquer outro investimento. Se um banco está fechando quem é que vai investir lá?”, questiona Arimatea.

O diretor da Regional de Picos, Fábio Neiva, informou que a partir da Audiência se formou uma frente de lideranças locais em defesa da permanência da agência no município, que resultou na solicitação de Audiência Púbica na Assembleia Legislativa do Estado, ainda a ser definida. “A Câmara discutiu várias questões que envolvem o município e com isso ficou acertado de se construir um documento, juntamente com a ata da Audiência, e encaminhar a outros segmentos da sociedade, como a Associação Comercial e CDL; e entraram em contato com a bancada de deputados da região, na Assembleia Estadual, que são quatro representantes, Belê Medeiros, Severo Neto, Pablo Santos e Nerinho, e com isso convocar a direção do banco para dá explicações e consequentemente tentarmos reverter esse quadro de fechamento. Também entrar em contato com o governador e demais parlamentares no âmbito federal para aumentar o poder de negociação junto ao banco, Além do abaixo-assinado que continuou a ser feito”, explicou Neiva.

 

A manifestação

Com apoio de lideranças locais, bancários, sindicalistas e população em geral, a manifestação realizada em frente à agência foi mais uma batalha contra o fechamento da unidade. Tantos os sindicalistas, quanto lideranças locais, denunciaram à população os prejuízos que a decisão vai gerar para a cidade. “A manifestação foi bastante satisfatória e positiva porque a gente ficou mais de duas horas falando com a população, além dos bancários e representantes do sindicato. Também alguns vereadores foram lá e se manifestaram, e a deputada Belê estava presente e se manifestou publicamente”, contou Fabio Neiva. Segundo o diretor, o envolvimento de lideranças locais fortalece ainda mais o movimento. “A deputada Belê, junto com a gente, ligou para o superintendente regional da área norte-nordeste e ele se comprometeu a marcar uma data para ir à Assembleia justificar o motivo do fechamento e tentar reverter o quadro. Agora é aguardar essa movimentação no âmbito estadual”.

Unindo esforços

Para tentar reverter a decisão do banco de fechar a agência no município, a questão vai agora para âmbito estadual, com Audiência Pública na ALEPI, fortalecendo a luta em defesa da agência, que foi implantada em 2011 e hoje tem mais de três mil clientes que serão transferidos para Teresina, sem aviso prévio, configurando quebra de contrato de forma unilateral, como explica Arimatea Passos, ao comentar os esforços conjuntos que estão sendo feitos em defesa da permanência da agência. “Há um fato, muito interessante, que a Câmara municipal de Picos ofereceu a sua folha de pagamento, algo em torno de 450 mil reais ao mês, para o banco Itaú, mas o banco não se interessou, além do fundo de pensão dos funcionários municipais que também ofereceu para o banco administrar parte das aplicações desse fundo, e o banco também não se interessou. Há uma discriminação da administração do banco Itaú para com a macro região de Picos. O banco está transferindo os clientes para Teresina e isso fere o Código de defesa do consumidor, porque houve quebra de contrato de forma unilateral. Um conjunto de desrespeitos contra Picos e contra a região Sul do Estado, atingindo uma imensa população”, afirma Arimatea.

O diretor da Contraf, Marcus Vandaí esteve presente e elogiou a atuação do SEEBF-PI na defesa dos empregados do banco e articulação junto à categoria. “O grande trabalho de organização do Sindicato dos Bancários do Piauí exige esse tipo de abordagem, de diálogo com os bancários e com a sociedade. A visita a Picos foi planejada e alcançou seus objetivos, mobilizou a sociedade, câmara de vereadores e deputados da região. O Sindicato está de parabéns pela mobilização e pelo resultado junto à sociedade e junto aos bancários de Picos. A audiência foi bem objetiva, precisa e saiu de lá com um calendário de atribuições e nesse sentido foi muito positiva”, avaliou Vandai.

Entenda o caso

Tratando como uma simples mudança de endereço, a direção do Itaú decidiu encerrar as atividades da agência do banco no município de Picos, pegando de surpresa tanto funcionários quanto clientes. No dia 01 de março, chegou um comunicado informando que o banco encerraria as atividades na cidade de Picos. Segundo a decisão do banco, a agência será fechada no dia 03 de abril. Tal decisão foi comunicada para funcionários e clientes como se fosse uma simples mudança de endereço de um bairro para outro, orientando os clientes a se dirigirem para a agência Areolino (Teresina), ignorando a real distância de 350 km entre uma cidade e outra.

Diretores sindicais, junto aos funcionários e com apoio da população, protestaram fechando a agência por três horas e coletaram assinaturas num abaixo assinado e dialogaram diretamente com a população sobre os prejuízos que essa decisão irá causar ao município.